Esse blog tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre o assunto Exercício Físico e Cérebro, a partir de informações publicadas em revistas científicas

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estresse - histórico

Com o passar dos anos a definição do termo estress sofreu várias alterações. Inicialmente era definida como aflição e adversidade, passando, posteriormente, para o composto tensão-angústia-desconforto e finalmente passou a ser utilizada para expressar a ação de força, pressão ou influência muito forte sobre uma pessoa, causando uma deformação. Segundo Kloet et al, estresse é a resposta do organismo para o reajuste da homeostase e a quebra dessa homeostase é causada por um agente estressor físico ou psicológico. Para manter ou retornar a hoemostase é necessária a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) mediando as respostas fisiológicas que agem no organismo. Se a resposta ao estresse é inadequada, excessiva ou prolongada, o custo para o retorno à homeostase pode tornar-se alto, a qual é denominada carga alostática.
            Em vista dessas considerações o estresse foi considerado um fenômeno constituído de três etapas (alerta, resistência e exaustão). Anos mais tarde, pesquisadores identificaram uma nova fase (fase de quase-exaustão), classificando, portanto, o modelo quadrifásico do estresse.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Estresse - Introdução

        Estresse pode ser definido como uma resposta a um determinado estímulo. Essa resposta pode ser física ou psicológica e o estímulo, no caso agente estressor, pode ser endógeno ou exógeno. Além disso, essa resposta é uma reação do corpo ao estímulo. Hans Selye foi um médico endocrinologista pioneiro no estudo do estresse. Ele observou que diversos seres vivos apresentavam o mesmo padrão de resposta fisiológica para estímulos. Sendo o estresse, portanto, uma tentativa do organismo para manter o equilíbrio afetado por um estímulo específico, seria ele positivo ou negativo? No entanto, hoje o estresse é associado com doenças e "estar estressado" é uma sensação negativa...
         Qual seria a diferença, então? Existe estresse bom? Como saber se estamos estressados? A definição de Hans Selye estaria corrompida ou modificada pelo mundo moderno cheio de exigências?
          Bom, a resposta para todas essas perguntas, ou melhor, todas essas perguntas me vieram em mente e será tema dos meus próximos posts. O estresse é um sub-tema (digamos assim) do meu doutorado, já que vou estudar seu principal hormônio: o cortisol. No entanto, quando li as perguntas da escala de estresse e percebi que estava com  10 sintomas (!!!!) e um amigo do mestrado com mais de 30 (!!!!), parei e refleti muito sobre o tema. Dormir pouco, alterações no apetite, problemas estomacais, dermatológicos... Fora os psicológicos... Ao aplicar a escala percebi que os indivíduos entre 30 e 40 anos são mais estressados que os mais velhos. Será a cobrança de estudar, trabalhar, casar, estar bem fisicamente e psicologicamente???
Filosoficamente deixo a pergunta... com respostas neurofisiológicas nos próximos posts...



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nossa, quanto tempo que não escrevo nada aqui. Estou com projetos paralelos e retorno à minha vida comum no mês que vem. ;-)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Congressos e afins

                Como todos sabem, a vida de doutorando não é fácil. Além das disciplinas a cumprir e tocar a pesquisa, temos que escrever artigos, projetos para alunos de IC, revisar artigos, escrever capítulos de livros, submeter resumos à congressos, ler artigos para seminários... Bom, fora trabalhar fora e cuidar da casa, mas...Nos últimos meses participamos de dois congressos importantes no meio acadêmico. A FeSBE em águas de Lindóia..

E a SBNeC.. Essa não teve fotinho da galera pois esquecemos de tirar uma foto oficial do grupo. No SBNeC a pós doc do grupo apresentou nossa linha de pesquisa sobre exercício físico e saúde mental. A apresentação foi um sucesso! Eu apresentei os resultados do meu mestrado, os quais foram publicados na European Journal of Applied Physiology:  http://www.springerlink.com/content/h143244736061504/fulltext.pdf

E segue a vida.....

Abraços,

Helena Moraes

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz dia do amigo



Durante todos esses anos de pesquisa, colhi bastante vitórias, como artigos científicos, defesa de uma dissertação de mestrado, bolsas financiadoras, participação na criação de um laboratório, etc. Mas a principal "coisa", foram os amigos que fiz. Amizades que foram, que ficaram e aquelas que, tenho certeza, que ficarão durante um bom tempo. Pessoas que me ajudaram em momentos difíceis.


E ainda aquelas que me fizeram rir, rir de tudo. Até de mim mesma...
Feliz dia do amigo!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

LANEX no CBCCE

Aí está o grupo do LANEX (Laboratório de Neurociências do Exercício) em mais um evento, esse foi muito bom e muito proveitoso. Já estamos nos preparando para o próximo.


terça-feira, 13 de julho de 2010

Novos neurônios e novas memórias

                 A descoberta da formação de novos neurônios acabou com o dogma que não há a criação de novos neurônios no cérebro adulto. As descobertas da neurociências desvendaram que esse fenômeno ocorre em duas regiões: na zona subventricular do ventrículo lateral e na zona subgranular do giro dentado no hipocampo. O hipocampo é uma região crucial para a formação de memórias e para o comportamento emocional. O processo de neurogênese inicia-se com a proliferação das células progenitoras que diferenciam-se em células granulares no giro denteado e algumas em células gliais. Na primeira semana, as novas células migram para o interior da camada granular que são inervadas por GABA (Ácido Gama-Amino Butírico), já na segunda semana começa o processo de mudança das células denteadas para neurônios. No entanto, essas células ainda são imaturas e sua atividade mediada por GABA parece ser importante para maturação e sobrevivência desses neurônios.A formação de eferências e aferências iniciam-se na terceira semana. Na maturação neuronal, da quarta a sexta semana, ocorre a transição de inputs de GABA para inputs gulatametérgicos. Essas células apresentam forte plasticidade sináptica, baixo limiar e alta amplitude do potencial de longa duração. Isso é mediado por receptores NMDA (N-methyl D-aspartate) e pelo fator de transcrição krupple-like factor 9. Todo esse processo de neurogênese foi bem investigado em roedores, no entanto, ainda existe uma vasta lacuna comparada aos estudos com humanos.
              Estudos com ratos concluíram que alguns fatores como o estímulo por aprendizado de novas tarefas (dependentes do hipocampo) e o exercício físico são cruciais para a neurogênese. O aprendizado adiciona e remove seletivamente as células maduras adultas, de acordo com sua maturidade e relevância funcional. O ambiente enriquecido aumenta a sobrevivência dessas células, enquanto que o exercício físico voluntário em ratos aumenta a proliferação neuronal e  a amplitude do potencial de longa duração, essencial para a memória. Indicando, portanto, uma associação entre neurogênese e cognição. 



             Existem duas hipóteses para as funções desses novos neurônios: a primeira seria a de substituição, ou seja, novos neurônios poderiam substituir neurônios velhos que sofreram apoptose. A outra hipótese seria que esses novos neurônios irão complementar e se conectar à neurônios pré-existentes, sem nenhuma substituição prévia. Além disso, há uma discussão interessante sobre a correlação desses novos neurônios e o tipo de memória testada. Existem alguns relatos, dos estudos com ratos, que essas novas células estariam mais associadas com a memória espacial de curto prazo. Além disso, ainda são necessárias mais investigações sobre a atuação dessas células na codificação, retenção e recordação da memória
              Um estudo realizado em humanos por uma Brasileira, em conjunto com um dos maiores nomes na literatura sobre o assunto, em Nova York, mostraram uma forte associação entre neurogênese e angiogênese e entre as mensurações de ressonância magnética funcional e medições do fluxo sanguíneo cerebral. A partir de achados humanos, os quais revelaram um aumento no fluxo sanguíneo no giro denteado após o exercício, os pesquisadores concluíram que é possível a existência de neurogênese em humanos, induzida por exercícios físicos. Fazendo uma analogia com o processo de neurogênese, concluímos que os achados com humanos ainda estão proliferando e longe de se tornarem maduros...




Deng, W., Aimone, J., & Gage, F. (2010). New neurons and new memories: how does adult hippocampal neurogenesis affect learning and memory? Nature Reviews Neuroscience, 11 (5), 339-350 DOI: 10.1038/nrn2822




Pereira, A., Huddleston, D., Brickman, A., Sosunov, A., Hen, R., McKhann, G., Sloan, R., Gage, F., Brown, T., & Small, S. (2007). An in vivo correlate of exercise-induced neurogenesis in the adult dentate gyrus Proceedings of the National Academy of Sciences, 104 (13), 5638-5643 DOI: 10.1073/pnas.0611721104